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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Quando a creche perde a piada





As crianças são imprevisíveis. Podem mudar de comportamento e de atitudes de um momento para o outro, principalmente se, de repente, se vêem num ambiente diferente daquele a que estão habituadas. A ida para a creche ou jardim-de-infância, e a consequente reacção a essa mudança da rotina diária, é uma lotaria que os pais têm de enfrentar. Sem medos, pois eles não têm razão de ser. 

Quando as crianças se deparam com uma nova realidade podem agir de variadas formas. É sabido que, no primeiro dia em que entram num infantário, os choros e gritos são esperados. Mas e quando essas manifestações surgem semanas depois do primeiro dia? Não se preocupe. É também normal e esse comportamento - que não se trata de forma alguma das chamadas «birras» - não deve levantar qualquer tipo de alarmismo.

O pediatra Henrique Galha garante que a rejeição das crianças a um novo ambiente pode surgir em qualquer altura, mesmo ao fim de um determinado período de tempo, em que os pais pensam que a habituação do seu filho já está mais do que ultrapassada. Até porque «a novidade pode ser motivo de interesse para qualquer criança». Isto é, encontrarem-se num espaço novo, com caras diferentes das que habitualmente vêem, aliado a todo um conjunto de possíveis brinquedos e distracções que desconheciam, pode despertar a curiosidade das crianças para a descoberta, para explorar todo um novo mundo que se abre diante dos seus olhos. Desta forma, é provável que demonstrem um sentimento de conforto e até alegria por esta fase diferente que inicia na vida. Um sentimento que, por vezes, dura apenas até que a novidade deixe de o ser.

 «Há crianças que são muito curiosas e gostam de explorar coisas novas, mas quando o espaço deixa de ser novidade e percebem que estão ‘sozinhas’, no meio de outras crianças e de adultos que não os pais, mostram-se desconfortáveis», refere Sofia Silvério, psicóloga do Núcleo de Psicologia do Estoril. E acrescenta: «Em alguns casos, a criança parece adaptada ao local e aos colegas, mostra-se interessada e participativa nas actividades, mas, de repente, muda o seu comportamento, isolando-se, chorando quando vê os pais e recusando participar nas tarefas». Quando esta atitude é adoptada pela criança, a psicóloga não tem dúvidas em dizer aos pais para não se deixarem enganar, já que, «na maioria das vezes, é apenas uma tentativa da criança ‘tentar a sua sorte’ e voltar para casa, para junto do conforto dos pais».

 NORMAL E FREQUENTE 

Os casos em que a reacção negativa à creche ou ao infantário surge tardiamente não são tão difíceis de encontrar, nem tão raros como se possa pensar. Henrique Galha afirma que são vários os pais que o procuram regularmente, na tentativa de obterem uma explicação para a alteração de comportamento das suas crianças.

 Sofia Silvério refere que a «frequência destes casos é relativa, uma vez que a grande maioria das crianças passa por uma fase em que se mostra mais desagradada com a escola, com reacções que sugerem alguma ansiedade quando estão na própria escola». Mas sustenta a afirmação com números gerais: «Poderá dizer-se que em todas as salas de creche e de jardim-de-infância, principalmente na sala dos dois e três anos, haverá duas ou três crianças com dificuldades de adaptação, exibindo talvez um deles dificuldades de adaptação tardias.»

E, apoiada na experiência que tem no Núcleo de Psicologia do Estoril, dá mesmo um exemplo do que aconteceu nas três creches em que trabalha: «Houve dois meninos com dificuldades de adaptação tardias. Um porque a situação em casa se alterou bastante, com o divórcio dos pais, e cerca de um mês depois começou a exibir comportamentos mais desajustados. E uma menina, porque, de tão tímida que era, não conseguia expor os seus sentimentos. Só após duas semanas começou a sentir-se confortável para chorar e extravasar a sua ansiedade».

 Não é possível definir um prazo, como que uma data-limite para que as reacções tardias aconteçam. Nunca é cedo demais assim como nunca é tarde demais para as crianças mudarem de comportamento em relação ao infantário. Em média, considera-se que, durante os primeiros dois meses, a criança está em fase de adaptação à escola e às novas realidades. Assim, Sofia Silvério afirma que «se passado um mês o menino começa a exibir um tipo de comportamento desajustado, talvez não se possa falar num caso de uma criança que estava adaptada e que depois mudou as suas atitudes.»

 Pelo contrário, pode dar-se o caso de «a criança nunca se ter adaptado» e, consequentemente, não se sentir confortável para «mostrar os seus sentimentos a pessoas que não eram ainda ‘merecedoras’ da sua confiança». Por outro lado, «podemos falar de crianças que interiorizam os seus sentimentos e que apenas os exteriorizam quando o ‘copo transborda’». Ou ainda de crianças que só tardiamente se aperceberam de que aquela mudança na sua vida é definitiva, e não apenas temporária, como por exemplo quando passaram férias com os avós.Leia ainda as dicas para os pais

sábado, 6 de setembro de 2014

Cheches. Sim ou não?



Esta é uma questão recorrente nas consultas de Pediatria e para a qual não há nenhuma resposta 100% correcta. A decisão de colocar um filho numa Creche / Jardim de Infância não é fácil e tem muitas condicionantes, tais com a hipótese de deixar o bebé com um familiar (mais frequentemente com os avós) ou numa ama.

No entanto, para se discutir este assunto de forma fundamentada, é preciso analisar várias questões.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A importância das rotinas na creche





“A sucessão de cada dia ou sessão tem um determinado ritmo existindo, deste modo, uma rotina que é educativa porque é intencionalmente planeada pelo educador e porque é conhecida pelas crianças que sabem o que podem fazer nos vários momentos e prever a sua sucessão, tendo a liberdade de propor modificações. Nem todos os dias são iguais, as propostas do educador ou das crianças podem modificar o quotidiano habitual.” «Orientações Curriculares, pp. 40»



Na educação infantil a rotina diária tem uma grande importância, no entanto é ainda maior para as crianças da creche (até 3 anos) pois exerce um importante papel de segurança e conforto.

A rotina diária na creche é muito importante, uma vez que proporciona à criança uma sequência de acontecimentos que ela segue e compreende, ou seja, oferece-lhe uma estrutura de acontecimentos do dia. Deve ser consistente, permitindo que a criança antecipe os acontecimentos que se vão seguir, sendo uma estrutura de segurança para a criança.

A rotina desempenha também um papel facilitador na captação do tempo e dos processos temporais. A criança aprende a existência de fases, do nome dessas fases e o seu encadeamento sequencial.


Contudo a rotina funciona também como um suporte para o educador pois permite-lhe gerir melhor o seu tempo e planificar o dia. 
Casa da criança do Rogil

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A adaptação à creche

A adaptação à creche





A adaptação à creche, nem sempre é fácil, pelo que deverá ser um processo antecipado e progressivo de preparação entre os pais, a criança, a educadora e auxiliares. Geralmente, os bebés têm mais facilidade em se adaptar ao que é novo. Assim, quanto mais cedo a criança entrar para a creche, mais fácil será a sua Adaptação.

Nos primeiros dias a criança, tal como os pais, pode sentir alguma dificuldade, o que pode provocar sintomas de mal-estar, tais como: falta de apetite, perturbações de sono e situações de angústia.

Para facilitar a adaptação das crianças à Creche existem diferentes Estratégias: